Silêncio anti-democrático
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| Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ABr |
Bolsonaro e seus principais apoiadores fazem silêncio a respeito da derrota vista nas urnas em 30/10. Enquanto Flávio Bolsonaro tenta convencê-lo a falar, um pedaço do Brasil pega fogo com caminhoneiros apoiadores parando estradas, discursos xenofóbicos e golpistas em redes sociais e aplicativos de mensagens.
É da democracia aceitar a derrota, e isso vale para todos, incluindo Bolsonaro e seus apoiadores. Também é parte da democracia lamentar a derrota do seu candidato favorito, criticar e até mesmo fazer piada com a vitória do candidato da oposição. Só não é parte da democracia tentar sufocar a vontade da maioria, muito menos tentar sufocá-la apenas porque o resultado foi diferente daquele que os derrotados queriam. Não é "aceitar que dói menos", é aceitar que a vontade da maioria deve ser respeitada.
Por outro lado, Bolsonaro, publicamente, adotou o discurso dos versos que ficaram famosos na voz de Leonardo, famoso cantor sertanejo e apoiador de seu governo:
Não tenho nada pra dizer
Só o silêncio vai falar por mim
Eu sei guardar a minha dor
E apesar de tanto amor vai ser melhor assim
Entretanto, e desta vez parafraseando a mesma canção, Bolsonaro precisa aprender a dizer adeus e aceitar que mandatos são como os amores: eles vem e vão, pois são como aves de verão. Fazer silêncio neste momento é antidemocrático. O silêncio dos principais apoiadores de Bolsonaro pode ser aceitável, mas Bolsonaro, como presidente derrotado, precisa se pronunciar.
Tal gesto é simbólico e significa que ele aceita as regras do jogo e vai abrir caminho para o novo presidente sem dificultar ou sem aplicar nenhuma artimanha para se manter no poder, o que seria um golpe.

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